quarta-feira, 1 de outubro de 2014

“Funcionamento dos Centros de Compras, no próximo domingo, 05 de outubro, Dia da Eleição”


O esquerdista fanático e o direitista visceral: dois perfeitos idiotas

Direitista visceral e esquerdista fanático – os dois são perfeitos idiotas. O direitista padece da doença senil do capitalismo e o esquerdista, como afirmou Lênin, da doença infantil do comunismo.

Por Frei Betto

Nada mais parecido a um esquerdista fanático, desses que descobrem a nefasta presença do pensamento neoliberal até em mulheres que o repudiam, do que um direitista visceral, que identifica presença comunista inclusive em Chapeuzinho Vermelho.
Os dois padecem da síndrome de pânico conspiratório. O direitista, aquinhoado por uma conjuntura que lhe é favorável, envaidece-se com a claque endinheirada que o adula como um dono a seu cão farejador. O esquerdista, cercado de adversários por todos os lados, julga que a história resulta de sua vontade.
frei betto direita esquerda
Frei Betto: “Embora mineiro, não fico em cima do muro. Sou de esquerda, mas não esquerdista”.
O direitista jamais defende os pobres e, se eventualmente o faz, é para que não percebam quão insensível ele é. Mas nem pensar em vê-lo amigo de desempregados, agricultores sem terra ou crianças de rua. Ele olha os deserdados pelo binóculo de seu preconceito, enquanto o esquerdista prefere evitar o contato com o pobre e mergulhar na retórica contida nos livros de análises sociais.
O esquerdista enche a boca de categorias teóricas e prefere o aconchego de sua biblioteca a misturar-se com esse pobretariado que nunca chegará a ser vanguarda da história.
O direitista adora desfilar suas ideias nos salões, brindado a vinho da melhor safra e cercado por gente fina que enxerga a sua auréola de gênio. O esquerdista coopta adeptos, pois não suporta viver sem que um punhado de incautos o encarem como líder.
O direitista escreve, de preferência, para atacar aqueles que não reconhecem que ele e a verdade são duas entidades numa só natureza.
O esquerdista não se preocupa apenas em combater o sistema, também se desgasta em tentar minar políticos e empresários que, a seu ver, são a encarnação do mal.
O direitista posa de intelectual, empina o nariz ao ornar seus discursos com citações, como a buscar na autoridade alheia a muleta às suas secretas inseguranças. O esquerdista crê na palavra imutável dos mentores do marxismo e não admite outra hermenêutica que não a dele.
O direitista considera que, apesar da miséria circundante, o sistema tem melhorado. O esquerdista vê no progresso avanço imperialista e não admite que seu vizinho possa sorrir enquanto uma criança chora de fome na África.
O direitista é de uma subserviência abjeta diante dos áulicos do sistema, políticos poderosos e empresários de vulto, como se em sua cabeça residisse a teoria que sustenta todo o edifício de empreendimentos práticos que asseguram a supremacia do capital sobre a felicidade geral.
O esquerdista não suporta autoridade, exceto a própria, e quando abre a boca plagia a si mesmo, já que suas minguadas ideias o obrigam a ser repetitivo. O direitista é emotivo, prepotente, envaidecido. O esquerdista é frio, calculista e soberbo.
O direitista irrita-se aos berros se encontra no armário a gola da camisa mal passada. Dedicado às grandes causas, as pequenas coisas são o seu tendão de Aquiles.
O direitista detesta falar em direitos humanos, e é condescendente com a tortura. O esquerdista admite que, uma vez no poder, os torturados de hoje serão os torturadores de amanhã.
O direitista esbraveja por ver tantos esquerdistas sobreviverem a tudo que se fez para exterminá-los: ditaduras militares, fascismo, nazismo, queda do Muro de Berlim, dificuldade de acesso à mídia etc. O esquerdista considera o direitista um candidato ao fuzilamento.
Direitista e esquerdista – os dois são perfeitos idiotas. O direitista padece da doença senil do capitalismo e o esquerdista, como afirmou Lênin, da doença infantil do comunismo.
Embora mineiro, não fico em cima do muro. Sou de esquerda, mas não esquerdista. Quero todos com acesso a pão, paz e prazer, sem que os direitistas queiram reservar tais direitos a uma minoria, e sem que os esquerdistas queiram impedir os direitistas de acesso a todos os direitos – inclusive o de expressar suas delirantes fobias.
Frei Betto é escritor, autor do romance “Minas do Ouro” (Rocco), entre outros livros.http://www.freibetto.org

Fonte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/10/esquerdista-fanatico-direitista-visceral-prefeitos-idiotas.html

BATEMOS UM PAPO COM RUI COSTA PIMENTA, CANDIDATO À PRESIDÊNCIA PELO PARTIDO DA CAUSA OPERÁRIA.

Armas, drogas, revolução, Foro de São Paulo, PSOL, PT, socialismo, liberalismo, movimento libertário... nada escapou.Rui Costa Pimenta

“Quem bate cartão, não vota em patrão”. Se você acompanhou minimamente o horário eleitoral brasileiro nesses últimos anos certamente conhece o jargão do candidato do PCO à presidência, Rui Costa Pimenta. Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, Rui atuou desde muito cedo no movimento estudantil e sindical, e foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, onde saiu por divergências para fundar o seu Partido da Causa Operária, em 1995 – por onde disputa o cargo máximo político do país pela quarta vez.
Armas, drogas, revolução, Foro de São Paulo, PSOL, PT, socialismo, liberalismo, movimento libertário… nada escapou nesse bate papo de meia hora de um dos principais representantes da esquerda revolucionária brasileira com Joel Pinheiro.

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JOEL PINHEIRO:  Rui, é um prazer recebê-lo aqui conosco. Muito obrigado por topar a entrevista.
RUI COSTA PIMENTA: Eu que agradeço. Prazer é meu.
JOEL PINHEIRO: Bom, eu queria começar tratando de uma questão que surgiu em algumas entrevistas suas: a questão do porte de armas. Qual o posicionamento da sua candidatura sobre essa questão?
RUI COSTA PIMENTA: Nós defendemos, em geral, um programa democrático. E um dos elementos fundamentais do programa democrático – historicamente falando, do período do estabelecimento da democracia no mundo – era sempre o problema de que você não podia ficar sob o jugo de um exército profissional, uma burocracia que atuasse contra a população – que era a característica das monarquias absolutas – mas que a própria cidadania deveria se armar e com isso adquirir um controle da situação política. É nesse sentido que nós defendemos o direito do cidadão de possuir e portar armas. Porque hoje nós temos uma situação parecida a do passado: uma burocracia – polícia, exército, é uma burocracia – não controlada pelo povo e que como todo mundo vê o tempo todo, particularmente no Brasil essa situação é flagrante, é um instrumento de opressão, pior até do que eram as forças militares, as Forças Armadas, na época do absolutismo.
JOEL PINHEIRO: Você acha que piorou?
RUI COSTA PIMENTA: Eu acho que o Estado atual é uma burocracia muito superior. Ela é um desenvolvimento, uma hipertrofia, do Estado absolutista.
JOEL PINHEIRO: E no que diz respeito à segurança pública, você acha que essa questão do porte de armas tem uma relevância direta também? Ela ajudaria? Ela talvez pioraria? Qual a sua opinião?
RUI COSTA PIMENTA: A nossa primeira preocupação não é segurança pública. É o direito democrático do povo. Pra nós, o problema dos direitos vem antes de qualquer outra questão – segurança, conveniências A, B e C, etc. Agora, eu acho que sim. Polícia é uma burocracia, ela não se interessa pela situação do povo. Vocês viram na semana passada o assassinato de um camelô por um policial que foi filmado por populares – esse aí é o retrato da nossa polícia. O soldado nem hesitou. O cidadão chegou perto dele, ele atirou na cabeça dele. Essa polícia é pior que a guarda pretoriana dos imperadores romanos.
JOEL PINHEIRO: O tema da revolução é presente na política hoje? Vocês gostariam de trazer essa questão da força revolucionária? É parte das propostas do PCO ou ele abandona essa causa ao entrar nessa política padrão?
RUI COSTA PIMENTA: Pelo contrário. Nós só acreditamos na revolução. Nós achamos que pra você mudar substancialmente o regime político, a economia e a situação social do Brasil e do mundo, só a revolução. Só quando as amplas massas populares tomarem os seus destinos em suas mãos que a coisa irá mudar. Nós não temos nenhuma expectativa na mudança pela via eleitoral.
JOEL PINHEIRO: Mas então como é que se justifica a candidatura?
RUI COSTA PIMENTA: Nós consideramos que a eleição é como se fosse uma campanha de propaganda privilegiada, porque a própria burguesia, a própria classe dominante, chama o povo através do Estado – que é uma máquina poderosa – a participar de um debate político. Então nós consideramos que nós temos que estar presentes aí, que se a gente puder eleger um deputado – embora ele não pudesse mudar nada – ajudaria a avançar no esclarecimento da população. E logicamente que nós não partimos de uma ideia abstrata de revolução, mas nós lutamos no dia a dia por todos os interesses, por menores que sejam, das camadas populares – a começar pela classe operária. Nós achamos que esse é o meio de você chegar à organização e à consciência necessária para a revolução.
JOEL PINHEIRO: Por parte de pensadores da esquerda – se é que eu posso usar o termo de “esquerda radical” – há, às vezes, a ideia de que uma parte mais moderada chama de conquistas trabalhistas, no fundo seja algo que apazigua e dificulta o trabalho realmente revolucionário. Como você se coloca em relação a isso: ao trabalhismo e as conquistas que sejam ditas dos trabalhadores (CLT, aumento do salário mínimo e todo resto)?
RUI COSTA PIMENTA: Eu acho que essa é uma concepção equivocada porque mistura duas coisas absolutamente diferentes. Uma coisa são as conquistas. Por exemplo, a legislação trabalhista no mundo só aconteceu de fato, em larga escala, de maneira sistemática, depois da Revolução Russa. Foi uma conquista revolucionária dos trabalhadores do mundo inteiro – em primeiro lugar dos russos. Porque o primeiro governo russo, a primeira coisa que ele fez, foi colocar em prática uma completa legislação trabalhista atendendo todas as revindicações que os trabalhadores tinham apresentado e lutado por elas. A burguesia, uma vez que ela vê isso daí como uma coisa inevitável, ela trata de organizar a coisa da sua maneira. Ela organiza essas conquistas – que ela considera que são inevitáveis, que ela nunca deu, que ela nunca iria dar, que ela resistiu até onde foi possível – ela organiza para tentar criar uma política de colaboração de classes. O que é uma deturpação, um desvirtuamento da conquista original. Mas a conquista é uma conquista, e o desvirtuamento é uma outra coisa, uma política da burguesia.

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JOEL PINHEIRO: Você citou o papel da Rússia. Dentro do socialismo real, qual seria o paradigma, o modelo preferencial do PCO?
RUI COSTA PIMENTA: Nós não usamos essa expressão “socialismo real”. Entendo o que isso significa, mas nós achamos que é um equívoco. Esses países não são socialistas. Nós somos marxistas e como tais somente acreditamos que o socialismo possa ser criado em escala internacional. O nível de desenvolvimento econômico de um único país, mesmo que fossem os Estados Unidos da América do Norte, não é possível de criar uma base para o socialismo. É preciso reunir as forças produtivas dos países mais avançados do mundo, estabelecer uma cooperação internacional, um sistema econômico internacional, que o próprio capitalismo já desenvolveu, numa certa medida, pra que você possa chegar ao socialismo. Então, falar em socialismo em Cuba, no Vietnã, é uma impropriedade. A gente poderia dizer que você tem um governo – se for o caso – que luta pelo socialismo, que se dirige no sentido do socialismo. Mas que isso daí seja um regime socialista, é absolutamente falso. 
JOEL PINHEIRO: Voltando um pouco pro Brasil, a gente tem nos últimos anos a ascensão clara de um partido da ala mais à esquerda que tem ganho muita atenção da mídia, com alguns políticos de destaque – como Jean Wyllys, Marcelo Freixo – estou falando obviamente do PSOL, que tá aí com a candidata Luciana Genro, qual é a postura do PCO em relação ao PSOL?
RUI COSTA PIMENTA: O PCO, diferentemente de outros partidos de esquerda, reconhece que dentro da sociedade há várias variedades de esquerda e de socialismo. Nós consideramos que o PSOL é um partido de esquerda, embora tenha muita coisa direitista…
JOEL PINHEIRO: Algum exemplo de alguma coisa direitista do PSOL?
RUI COSTA PIMENTA: Por exemplo, a candidatura presidencial do PSOL na primeira eleição era contra o aborto, contra os sem-terra. Era a favor de colocar mulheres na cadeia por aborto, de dar dinheiro para empresas multinacionais. Eles tem várias coisas assim. O Freixo defendeu a presença da UPP nos morros do Rio de Janeiro. Tudo isso é uma política de direita, que eles adotam. Agora isso aí não transforma eles num partido de direita, lógico. Só que nós não consideramos que eles são um partido socialista da classe trabalhadora. Não é um socialismo de trabalhadores, operários, não é um socialismo proletário. É um socialismo de classe média, um socialismo pequeno burguês. Se você pegar o Manifesto Comunista você vai ver que Marx já fazia a distinção entre vários tipos de socialismo, porque a sociedade capitalista cria uma diversidade de oposição a ela. Daí surgirem esses tipos de socialismo. Não é o nosso socialismo, não tem nada a ver com a gente, mas a gente entende que é também um tipo de oposição. Não acredito que seja revolucionário, e não acredito que tenha muito futuro também.
JOEL PINHEIRO: Num segundo turno, como está pintando, como é que o PCO se coloca?
RUI COSTA PIMENTA: Eu posso te falar que a inclinação geral do partido é pelo voto nulo. Agora, nós não vamos tomar nenhuma decisão antecipadamente. Nós vamos esperar o primeiro turno das eleições, vamos fazer uma análise. Vamos chamar uma conferência com delegados do partido do país inteiro, aí nós vamos firmar uma posição sobre o segundo turno. Logicamente que nós fazemos uma distinção entre PT e os outros dois candidatos que foram selecionados. Esses três candidatos nós fazemos uma distinção entre o PT e os outros dois, que são candidatos abertamente da direita.
JOEL PINHEIRO: E o PT é um partido de direita também? Ou de alguma forma está mais à esquerda?
RUI COSTA PIMENTA: Não, é como eu falei – há muitos tipos de esquerda e o PT é um desses tipos. É uma esquerda vinculada a setores capitalistas. Eles entendem a ideia de que a burguesia, o capitalismo, possa produzir uma esquerda. Mas isso é falso. Antes do golpe de 1964, tivemos os governos do PTB, que eram governos de uma esquerda burguesa. O PT é uma esquerda moderada, não revolucionária. Uma esquerda que, na nossa opinião inclusive, trabalha numa política muito intensa de colaboração de classes, que procura mudanças pequenas, sem ambição, mas é uma esquerda.

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JOEL PINHEIRO: Se o modelo do PCO é o socialismo proletário, na sua opinião o que falta pro PCO ter uma adesão maior por parte do proletariado?
RUI COSTA PIMENTA: Esse problema da adesão é um processo histórico. Quando a ditadura estava para acabar nós participamos da construção do PT como um processo de organização da classe operária. A classe operária, uma boa parte dela, vota no PT. Existe um número bastante grande, principalmente dos setores mais organizados, mais politizados, que votam no PT. Eu acho que a classe operária vem fazendo uma experiência com o PT e por isso também, digamos assim, o gradualismo, as condições políticas em que se desenvolvem essas experiências impediram a formação de um outro partido poderoso, ao lado do PT. Eu acho que nós estamos entrando numa nova fase, os trabalhadores estão insatisfeitos com o PT – acho que irão votar no PT por uma questão de necessidade, pelo tipo de jogo de manipulação que é a eleição – mas eu acho que está aberta a possibilidade para a criação de um novo partido de trabalhadores, de um porte maior, de uma presença política maior. O que logicamente implica numa modificação das relações sindicais, dentro do movimento popular, dentro do movimento agrário, dentro do movimento estudantil. E eu acho que tudo isso aí está a caminho. Isso explica o fato de que o desenvolvimento do PCO – que existe, o PCO vem se desenvolvendo – seja bastante lento. Mas eu acho que a situação está para mudar.
JOEL PINHEIRO: Pensando nas demandas do trabalho, qual seria o salário mínimo ideal na sua visão?
RUI COSTA PIMENTA: A nossa posição, que muita gente que não é da classe trabalhadora estranha, é muito simples: nós revindicamos que o capitalismo, se ele vai manter uma grande quantidade de escravos assalariados, que ele pague as necessidades básicas desses escravos. Não pode manter uma sociedade onde, para que o capitalismo sobreviva, você tenha que degradar completamente a vida das pessoas. Então nós propomos um salário mínimo vital – ou seja, que atenda todas as necessidades vitais – que seja calculado pelas próprias organizações sindicais, e que na nossa opinião, para esse cálculo hoje, estaria por volta de R$3 mil, R$3.500. O que não é nada de se estranhar, porque o Dieese, que é uma espécie de organização ligada de certa forma aos sindicatos, chega num salário parecido com esse. E a constituição nacional também dá os critérios que levariam a esse número. Então essa é a nossa proposta.
JOEL PINHEIRO: E haveria problema com números ainda mais altos do que esse? Pensando em R$7 mil, R$10 mil? O que impede de chegar a números ainda mais altos?
RUI COSTA PIMENTA: Mas aí qual seria o critério para você chegar nesses números?
JOEL PINHEIRO: Pensando na melhoria da qualidade de vida pra aproximação de uma renda de primeiro mundo.
RUI COSTA PIMENTA: Não, tudo bem, esse salário já é uma aproximação de uma renda de primeiro mundo. Esse seria um salário de mil e tantos dólares. Você tem os países, digamos assim, desenvolvidos, os países imperialistas, tem salários que vão de mil e poucos dólares a três mil dólares. Mas eu acho que você tem que ter um cálculo, porque é um problema econômico, e esse cálculo deve obedecer um critério. Nós temos esse critério, que é o conjunto das necessidades básicas dos trabalhadores. A gente tem que entender também o seguinte – a economia funciona de uma certa forma. Então há trabalhadores especializados que ganhariam mais que um salário mínimo, e assim por diante. Esse é o mínimo.
JOEL PINHEIRO: Mudando o escopo agora para a política de descriminalização das drogas, que também é uma bandeira do PCO. Qual seria o modelo ideal dessa política?
RUI COSTA PIMENTA: Nós achamos que esse crime das drogas é um crime imaginário. É uma situação análoga ao que aconteceu nos Estados Unidos, quando da época da Lei Seca, da proibição do consumo de álcool. Uma lei que passa pela cabeça de uns fanáticos moralistas e religiosos, e que é explorada por uns espertalhões, para a repressão geral da população. A população carcerária que existe por crimes relacionados à droga é gigantesca. Então isso aí é uma situação extremamente anômala e só tem servido para degradar a vida da população. Nós achamos que as drogas deveriam sair da clandestinidade, deveriam ser liberadas. E deveriam ser regulamentadas pelo poder público. Dessa forma, seria possível ter uma maneira de combater – porque nós achamos que a droga não é uma coisa positiva, em geral – o consumo de drogas que fosse uma maneira real, eficaz e humana. Porque a maneira atual é pura repressão. Inclusive a pretexto da droga a população carcerária aumenta no mundo todo. 
JOEL PINHEIRO: Acaba gerando implicações em diversos campos. Inclusive na população carcerária. Sem dúvida.
RUI COSTA PIMENTA: Problemas de saúde também. Muita gente consome produto contaminado, produto adulterado, e isso gera enormes problemas de saúde.
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JOEL PINHEIRO: Certas vozes de uma direita conservadora brasileira levantam a questão do Foro de São Paulo, que é uma união internacional latino americana de diversos partidos de esquerda. Qual a sua visão sobre esse Foro de São Paulo? Ele tem alguma relevância? Qual a posição do PCO quanto a ele?
RUI COSTA PIMENTA: O Foro de São Paulo é a organização da esquerda mais moderada da América Latina e do mundo. É uma esquerda em geral parlamentar. A direita não deveria ficar tão espantada com o Foro de São Paulo porque pode ter coisa muito mais ameaçadora para a direita e para o capitalismo do que o Foro de São Paulo. Eu acho que isso daí é propaganda anticomunista, criam um espantalho sobre o Foro de São Paulo, que é ultramoderado. E isso não corresponde a nenhuma realidade. O Foro de São Paulo não é nenhuma Terceira Internacional, não é nenhuma Tricontinental, como os cubanos fizeram na época da guerrilha. É uma organização parlamentar, de partidos de esquerda, na sua maioria todos bem integrados nos regimes políticos de seus países, mas que, logicamente, são partidos que, numa certa medida, afetam os interesses dos donos do planeta, que não querem a resistência às suas políticas brutais e violentas.
JOEL PINHEIRO: Você acha que é possível reconhecer algum mérito em posições políticas mais liberais? Ou você acha que elas estão intrinsecamente ligadas a causas e ideologias de dominação e opressão?
RUI COSTA PIMENTA: Não, eu acho que há posições liberais que são um produto histórico, que tem uma relevância. As posições políticas. Não vejo que elas necessariamente estejam ligadas, por exemplo, à violência, ao canibalismo do neoliberalismo econômico – que eu acho que não é nem um pouquinho liberal, também, tem esse detalhe. Acho que o liberalismo é uma coisa do passado, é uma peça de museu. E eu acho que os liberais que falam em nome do liberalismo são os piores antiliberais que o mundo já conheceu até hoje. Em todos os sentidos, econômico e político. Veja-se que todos eles apoiaram a ditadura do Pinochet. Se isso for uma coisa liberal, então as palavras mudaram completamente do conteúdo.
JOEL PINHEIRO: Que causas liberais você assinalaria como positivas ou passiveis de uma defesa por quem é de esquerda?
RUI COSTA PIMENTA: O liberalismo, que é uma forma moderada da política democrática, da política revolucionária da burguesia, se concentrou nos direitos individuais. Eu acho que muitos dos direitos individuais, que são liberdades democráticas importantes, eles continuam vigentes. E que eles devem ser defendidos – a liberdade de expressão, a liberdade de organização, de reunião, liberdade de pensamento, liberdade religiosa. Tudo isso faz parte da doutrina liberal. É uma herança também da burguesia revolucionária, mas faz parte da doutrina liberal. Com muitas dessas coisas nós concordamos. Por exemplo, nós não somos favoráveis a nenhum tipo de censura. Ao passo que uma parte da esquerda é favorável a uma censura de costumes. Se alguém falar mal, ou falar de maneira negativa de mulheres, de homossexuais, de minorias, de índios, deveria ser censurado, deveria ser proibido. Embora a gente, logicamente, não concorde com se falar mal de mulheres, etc, nós não somos favoráveis de proibir ninguém de falar. Acho que cada um fala o que quer e o problema tem que ser colocado em outro terreno.
JOEL PINHEIRO: Vamos se aproximando aqui do fim da nossa conversa. Caso o PCO cresça, consiga eleger candidatos e propor políticas e propostas, quais seriam as principais resistências da população? O que seria o mais difícil de mudar?
RUI COSTA PIMENTA: Você diz na própria população?
JOEL PINHEIRO: Podemos falar das duas coisas – da resistência do eleitor e, por outro lado, da resistência do sistema ou da burocracia.
RUI COSTA PIMENTA: Eu acho que, do ponto de vista do eleitor, a classe trabalhadora e inclusive certos setores da classe média, eu não vejo que haja uma resistência que venha do interior desses setores – com a exceção de alguns bolsões, de algumas minorias…
JOEL PINHEIRO: Como por exemplo?
RUI COSTA PIMENTA: Ah, questões como do aborto, que enfrenta resistência religiosa. Eu acho que se houvesse um debate claro, se explicasse o que realmente está por trás disso – que o pessoal quer colocar essas mulheres, que estão numa situação extremamente negativas, na cadeia – eu não acho que a maioria da população seja favorável a esses métodos brutais. O que há é uma confusão. Não há um debate claro. Eu acho que o povo, de um modo geral, tanto trabalhadores, como classe média, é receptivo no Brasil a ideias progressistas, é um povo que tem um sentimento, em geral, de humanidade – que não tem nada a ver com a direita, que a gente vê aí, que é extremamente desumana. A solidariedade, a simpatia pelas dificuldades alheias, é uma característica geral do povo brasileiro. Eu acho que uma boa discussão faria com que as propostas fossem progredindo. Acho que justamente a resistência vem de outro lado, das pessoas que não querem a discussão, que confundem o panorama, que fazem campanhas caluniosas, que atacam, que falsificam as coisas, etc. Agora, eu acho que muitas das nossas propostas enfrentariam essa resistência.
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JOEL PINHEIRO: Temos no Brasil hoje em dia o crescimento de algo que tem sido denominado movimento libertário – que é, digamos, uma radicalização do liberalismo -, que quebra inclusive com a relação Estados e grandes empresas – vê isso como negativo e quer realmente instituir a maior liberdade, direitos individuais e concorrência, sem nenhum tipo de favoritismo para alguém. O que você pensa disso?
RUI COSTA PIMENTA: Bom, esse movimento libertário é uma coisa, se você está falando em geral – porque tem aí o Partido Libertário – se você está falando em geral, é uma coisa muito vasta. Acho que isso daí expressa um sentimento em geral de classe média, que é uma classe que tem um tradicional conflito com o Estado, e muita confusão. Os trabalhadores veem o problema do Estado de maneira diferente. Como eles são uma força muito grande, numérica, quando eles se mobilizam, eles tendem a tentar colocar o Estado a seu serviço. A classe média não consegue ver essa possibilidade porque ela realmente não tem essa força. Não é uma massa tão coesa quanto os trabalhadores – você vê que os trabalhadores impuseram ao Estado toda uma legislação trabalhista. A classe média não conseguiu nada nem parecido com isso. Então daí a desconfiança de que o Estado não estará a serviço deles. Mas essa mentalidade eu acredito que seja um beco sem saída. Nós estamos num mundo concreto, onde existe o Estado, onde o Estado não pode ser demitido, não pode ser exonerado, não pode ser simplesmente aniquilado – e infelizmente é um produto histórico, nós vamos ter que viver até que as condições sociais e econômicas permitam, num futuro, o desaparecimento do Estado.
JOEL PINHEIRO: É a finalidade última mesmo em Marx também, o desaparecimento do Estado.
RUI COSTA PIMENTA: Exatamente. Nós pensamos, como Marx, que o Estado eventualmente desapareceria. Mas pra isso são necessárias condições de um grande desenvolvimento econômico, que acabe com os conflitos sociais.
JOEL PINHEIRO: Agora uma última pergunta, pensando de novo no caminho revolucionário: se uma revolução ocorresse no Brasil, ela se daria com a violência que ocorreu também na União Soviética, ou mesmo em Cuba, com direito inclusive a execuções e julgamentos sumários? Ou você acha que é possível fazê-lo de outra forma?
RUI COSTA PIMENTA: O problema da violência da revolução tem que ser visto concretamente. O meu estudo da revolução, a experiência história mostra, que o povo revolucionário começa com uma disposição muito pacífica. Se você conhece bem a ação da população, ela tende a ser pacífica. Quando a classe dominante resiste é que a coisa se transforma numa violência – é uma resposta em geral à violência dos opositores. Foi assim na Revolução Francesa – o problema da guilhotina e a época do terror, aparece bem tarde na revolução, depois de várias tentativas contra revolucionárias, traições, que exasperaram o ânimo da população. Na Revolução Russa foi a mesma coisa. A revolução começou de maneira tão pacífica, que a tomada de poder não deu mais que dez mortes. Quer dizer, em São Paulo morre mais gente do que morreu na Revolução Russa, quase todo dia por violência. Liberaram o primeiro ministro, que era o Kerensky, e depois quando a Revolução Russa foi atacada violentamente a reação do povo foi violenta e aí a coisa engrossou. Em Cuba, nós temos uma violência extraordinária – o regime Batista era um regime violentíssimo, tinha matado muita gente – quando a revolução explode o ódio popular estava praticamente como um vulcão em erupção. Daí aconteceram os fuzilamentos, que como o próprio Che Guevara falou, foram uma exigência da própria população – contra os torturadores, os assassinos do regime. Eu vejo que a revolução acaba sendo violenta, nós temos que ser realistas a respeito disso, mas na verdade a violência é sempre uma reação à violência maior dos inimigos. Eu vi uma notícia hoje que o imperialismo norte americano nesse exato momento está envolvido em 138 conflitos militares internacionais – você imagina quanta violência não é isso daí?
JOEL PINHEIRO: Bom, é isso. Eu conversei com Rui Costa Pimenta, candidato à presidência pelo PCO. Foi um prazer, candidato e até a próxima.
RUI COSTA PIMENTA: Até a próxima. Muito obrigado.

http://spotniks.com/batemos-um-papo-com-rui-costa-pimenta-candidato-presidencia-pelo-partido-da-causa-operaria/

Eletro Shopping condenada por haver acusado comerciária de roubo.


A empresa Eletro Shopping - filial Garanhuns/PE, foi condenada a pagar a uma ex-empregada indenização por danos morais no valor de R$ 15 mil, que foi acusada pelo gerente do estabelecimento de roubo de aparelhos de celulares. 


A ofensa promovida pelo preposto do empregador foi repelida pela Justiça do Trabalho. "O Poder Judiciário não pode aceitar como desprovido de dolo o comportamento da Empregadora, ao assim proceder. 



Tal comportamento revela, assim, lesão à dignidade da pessoa, que merece todo o respeito mesmo na condição de acusada, suspeita, testemunha ou até culpada. Macula sua imagem, lança nódoa sobre sua honra, abala sua estrutura psicológica. A configuração do dano contra a Reclamante é inequívoca, sendo ônus da Reclamada, que nega a lesão, a prova de que a atitude hostil praticada não lhe trouxe vergonha, constrangimento, medo, sensação de perigo, tudo atingindo sua imagem, honra e dignidade pessoal", relata o acórdão do TRT 6, cuja relatora foi a Desembargadora Eneida Melo. 



A trabalhadora teve total assistência do Sindicato dos Comerciários de Garanhuns, através do seu Departamento Jurídico, tendo a frente o Dr. José Tavares Gonçalves.O Presidente do sindicato, o companheiro Adjamiro Lopes, relata que em vários outros processos, o sindicato tem obtidos contra condutas irregulares da referida Empresa. 



Segundo Adjamiro, "hoje a assistência ao trabalhador no Comércio de Garanhuns em especial a assistência trabalhista ao trabalhador, é uma referência na cidade, a comprovação disso é a crescente procura dos trabalhadores no comércio ao departamento jurídico e também de outras categorias". 

Processo 0000645-66.2011.5.06.0351

Com informações: http://www.feconeste.com.br/noticia.php?noticia=472

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Nem Armando nem Paulo


Projeto fotográfico tocante registra a escravidão moderna que fingimos não ver.

Facilmente caímos na tentação de pensar que a nossa liberdade e direitos são coisa garantida, esquecendo que há pessoas para quem isso não passa de um sonho. Lisa Kristine pôs o dedo na ferida de forma extraordinária: documentando a escravidão moderna, aquela que fingimos não saber que existe.

A ativista está há 28 anos retratando culturas indígenas ao redor do mundo, mas foi em 2009 que ‘acordou’ para o problema da escravidão dos nossos dias. A estimativa de que existem mais de 27 milhões de pessoas escravizadas e a sua falta de conhecimento sobre o tema a envergonhavam.

Assim começou sua jornada, que acabou em Modern Day Slavery, uma série cativante e ao mesmo tempo dolorosa. Seja um mineiro no Congo ou um trabalhador de olaria no Nepal, a escravidão existe e tem rostos. Lisa foi conhecê-los.














todas as imagens por
 Lisa Kristine

Fonte: Hypeness


Não voto em quem faz barulho.


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Candidatos que o SINDECC acredita que não merecem o seu voto.


União aperta controle sobre seguro-desemprego.


    Para reduzir fraudes e despesas no médio e longo prazo, o governo federal passou a exigir das empresas que informem, no momento da contratação, se o funcionário está recebendo, ou requereu, o seguro-desemprego. Desde a semana passada, as companhias estão obrigadas a repassar essa informação ao Ministério do Trabalho, além das já prestadas no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

    A legislação proíbe que a empresa contrate um trabalhador sem que o pagamento do seguro-desemprego seja interrompido. Porém, como em algumas situações existem fraudes – combinação entre empresa e funcionário para que a contratação seja feita apenas após o recebimento de todas as parcelas do benefício -, o governo quer ter mais informações para conter esse tipo de irregularidade, que acontece principalmente em pequenas e médias empresas. O governo não tem estimativa do custo dessas fraudes.

    O ministro do Trabalho, Manoel Dias, disse ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, que, inicialmente, será feito um projeto-piloto em Brasília que depois será estendido para todo o Brasil. O ministério pretende também fechar acordo com a Caixa Econômica Federal para que seja feito um cadastro digitalizado dos beneficiários do seguro-desemprego para dar mais segurança ao processo de pagamento.

    No primeiro semestre deste ano, os gastos com seguro-desemprego atingiram a marca de R$ 15,319 bilhões, o que representou ligeira queda de 4,11% ante igual período do ano passado (R$ 15,976 bilhões). A estimativa para o ano, no entanto, é que essa despesa totalize R$ 35,204 bilhões, segundo o boletim de informações financeiras, referente ao terceiro bimestre, do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Em 2013, o desembolso foi de R$ 31,902 bilhões.

    O advogado trabalhista da IOB, do grupo Sage, Glauco Marchezin, concorda que a exigência deve evitar pagamentos indevidos e fraudes no seguro-desemprego, como a combinação entre empregador e empregado para que o registro em carteira seja feito apenas após o recebimento da última parcela do benefício. Se a empresa não apresentar ou atrasar o envio das informações, estará sujeita a multa, calculada com base no número de trabalhadores com dados não repassados e o tempo de atraso.

    Empresários estão divididos em relação à medida. Enquanto alguns não veem problema no aumento da burocracia ao prestar informações para o Caged, outros recebem a novidade com ressalvas. O proprietário de uma rede de óticas no Espírito Santo, Cleiton Ginaid, gostou da nova norma. “Burocratizar é válido quando ajuda a resolver um problema”, disse. “O empregador passa a ser testemunha de uma falsa solicitação do seguro-desemprego.”

    Já o empresário e superintendente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) do Maranhão, Manuel Joaquim, tem outra opinião. “O controle [dos pedidos de seguro-desemprego] não pode passar para o empresário, porque vira obrigação e depois ele é punido quando não presta”, disse.

    Nos últimos anos, o governo tem reclamado das elevadas despesas com seguro-desemprego, apesar de o país viver em uma situação considerada como de pleno emprego. Em dezembro de 2013, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reuniu com representantes das centrais sindicais para definir medidas que pudessem reduzir esses gastos e também conter fraudes no pagamento.

    As negociações não tiveram sucesso, pois os sindicatos avaliaram que as mudanças propostas prejudicariam o trabalhador. Para ter uma forte desaceleração das despesas com seguro-desemprego, o governo precisaria alterar leis existentes para apertar as regras de concessão do benefício, o que, em ano eleitoral, não seria nada popular. Além disso, não havia apoio das centrais sindicais para adoção de medidas que, na avaliação delas, representariam uma redução de benefício ao trabalhador.

    Uma das medidas apresentadas na ocasião foi a restrição do número de parcelas do seguro, que hoje varia entre três e cinco no primeiro pedido. Pela proposta, a partir da segunda solicitação, o trabalhador teria entre duas e quatro parcelas e no terceiro, o benefício ficaria entre uma e três parcelas. O período de carência entre um pedido e outro, atualmente de 16 meses, poderia ser ampliado. Na semana passada, em entrevista ao Valor PRO, Mantega não adiantou se o governo vai mudar as regras de acesso ao seguro-desemprego e ao abono salarial, tornando-as mais restritivas para reduzir o ritmo de crescimento das despesas. “Não vamos tirar direitos dos trabalhadores”.

    Fonte: Valor

Bancários têm nova assembleia esta segunda; paralisação da terça continua de pé.

Reunião entre bancos e a  categoria, nesse sábado (27), não avançou. / Foto: Agência Brasil
Reunião entre bancos e a categoria, nesse sábado (27), não avançou.
Foto: Agência Brasil
Os bancários de Pernambuco realizam nesta segunda-feira (29) uma nova assembleia da categoria, marcada para acontecer às 19h, na sede do sindicato, no bairro da Boa Vista. Apesar de novo encontro, a paralisação nacional marcada para esta terça-feira (30) continua de pé.


Nesse sábado (27), ocorreu a oitava rodada de reuniões entre o  Comando Nacional dos Bancários  e o patronato, na Federação Nacional dos Bancos (Febraban), em São Paulo. Os bancos ofereceram como contraproposta um reajuste de 7,35% sobre salários e auxílios, além de 8% de reajuste no piso salarial.



A categoria, que pede um reajuste salarial de 12,5% e piso salarial de R$2.979,25, considera  a proposta dos bancos insuficiente. Além disso, ela informou que as reivindicações por melhores condições de trabalho, uma solução para metas abusivas  e assédio moral e isonomia de direitos para afastados por motivos de saúde foram ignoradas na reunião.

Com informações
Do NE10




Inclusão Social


"A Lei 8.213/91 obriga as empresas com 100 ou mais funcionários a terem em seus quadros um percentual mínimo de trabalhadores com deficiência ou reabilitados pela Previdência Social. Essa exigência permitiu que milhares de deficientes fossem inseridos no mercado de trabalho."

Empresa é condenada por assédio moral.

Imposição e cobrança de metas excessivas, forma de venda constrangedora e humilhante, divulgação da improdutividade de forma discriminatória. Esse foi o cenário que levou o juiz substituto Márcio Roberto Tostes Franco, à frente da 1ª Vara do Trabalho de Pouso Alegre, a condenar uma grande empresa, responsável pela administração de importantes varejistas brasileiras, a pagar indenização por dano moral a uma vendedora. A reparação foi arbitrada em R$ 30 mil.
Na avaliação do julgador, a reclamante conseguiu provar que sofria assédio moral no trabalho. Uma testemunha relatou que havia divulgação dos resultados do vendedor. Segundo ela, os nomes ficavam registrados em uma ficha atrás da mesa do gerente, que fica no salão da loja. Os vendedores que batiam metas eram assinalados em azul e os que não batiam, em vermelho. Todos assinavam a lista.
Ainda conforme a testemunha havia ameaça de dispensa. Quem não batesse cotas durante três meses consecutivos, era dispensado. Além disso, a gerência determinava que o vendedor embutisse a garantia complementar e seguro na venda e também que não marcasse corretamente o horário de trabalho no ponto.
Para o juiz, é evidente que a reclamada praticou ilícito trabalhista, o que leva ao dever de indenizar a trabalhadora. Ele explicou que o dano moral, no caso, é presumido, derivando do próprio fato ofensivo. "Convenci-me de que a atitude do réu, por seus prepostos, consubstanciou-se em assédio moral (também denominado mobbing ou bullying) no trabalho, que é a prática de atos contra a dignidade humana do trabalhador, o que malfere a garantia constitucional de proteção à dignidade humana, um dos princípios fundantes do Estado Democrático do Direito (art. 1º, III da C.F.)", registrou da sentença.
Portanto, após analisar as provas, o juiz reconheceu os requisitos para a responsabilização civil do patrão e fixou a indenização em R$ 30 mil, levando em consideração a gravidade e a intensidade do sofrimento, a capacidade econômica do réu e o princípio da razoabilidade. A reclamada recorreu, mas o recurso ainda não foi julgado pelo TRT de Minas. (Fonte: TRT-MG)

sábado, 27 de setembro de 2014

Quem vai limpar tua sujeira?


Como se já não bastasse o som na mais altura, desrespeitando toda uma comunidade, cansada de um dia de trabalho, querendo apenas o sossego para recomeçar tudo de novo no outro dia. Na noite de ontem, 26, vimos mais um desrespeito de candidatos que se propõem gerar o bem estar para as pessoas. A passeata de candidatos para essa eleição passou por algumas ruas do bairro do salgado, e com ela, veio junto uma falta de respeito e mau educação.






Pensem bem, é desse tipo de político que queremos para nos representar por mais quatro anos?


Departamento de Imprensa do SINDECC - Sindicato dos Empregados no Comércio de Caruaru/PE.

Todos os direitos reservados | Fotos - Dep Imprensa SINDECC

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Empresa é condenada por obrigar trabalhador a andar em brasas em “treinamento motivacional”


A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento a um agravo com o qual a Distribuidora de Medicamentos Santa Cruz Ltda. pretendia se isentar da condenação de indenizar em R$ 50 mil um trabalhador que foi obrigado a andar com os pés descalços num corredor de carvão em brasas durante "treinamentos motivacionais". O caso causou espanto entre os ministros na sessão desta quarta-feira. O presidente da Turma, ministro Lelio Bentes Corrêa, se disse "chocado e estarrecido". "Em 12 anos de TST, nunca vi nada parecido", afirmou.

O trabalhador disse que foi obrigado, junto com outros colegas, a caminhar em um corredor de dez metros de carvão incandescente durante um evento motivacional da empresa. Alegou, ao pedir a indenização, que a participação no treinamento comprometeu não só sua saúde, mas a integridade física de todos que participaram da atividade.
A empresa confirmou que realizou o treinamento com a caminhada sobre brasas. Entretanto, disse que a atividade foi promovida por empresa especializada, e que a participação não foi obrigatória. Uma das testemunhas destacou que todos, inclusive trabalhadores deficientes físicos, tiveram que participar do treinamento e que alguns tiveram queimaduras nos pés.
Segundo a distribuidora, o procedimento não teve a "conotação dramática" narrada pelo trabalhador, e ocorreu em clima de descontração e alegria, sem nenhum incidente desagradável ou vexatório. Lembrou ainda que o treinamento foi realizado dois anos antes da reclamação trabalhista e que, assim, não seria cabível condenação por dano moral, uma vez que, na época, o trabalhador não falou nada e continuou a trabalhar para a empresa.
Ranking e fotos comparativas
Ocupante do cargo de supervisor de vendas, o trabalhador também alegou que todo mês a empresa submetia os supervisores a um ranking de vendas, em campanha intitulada "Grande Prêmio Promoções", onde o primeiro colocado tirava uma foto ao lado de uma réplica de Ferrari, e o pior colocado ao lado de um Fusca. As fotos eram afixadas no mural da empresa e enviadas por e-mail para todos da equipe. O funcionário com pior desempenho também era obrigado a dançar músicas constrangedoras na frente de todos, como "Eguinha Pocotó".
A empresa negou as alegações, mas depoimentos testemunhais comprovaram a exposição.
Condenação
O juiz de origem entendeu que a empresa ultrapassou todos os limites do bom senso, por expor o empregado ao ridículo e à chacota perante os demais colegas. "Ato repugnante, vergonhoso e humilhante e que beira ao absurdo, sendo, por óbvio, passível de indenização por dano moral," destacou. A empresa foi condenada a pagar R$ 50 mil a título de dano moral, sendo R$ 10 mil em decorrência das humilhações sofridas nas campanhas e R$ 40 mil pela caminhada sobre o carvão em brasas.
A distribuidora de medicamentos recorreu da decisão, mas o Tribunal Regional da 3ª Região (MG) manteve a condenação e negou o seguimento do recurso de revista.
TST
Em agravo de instrumento na tentativa de trazer o recurso ao TST, a empresa alegou que trabalhador não comprovou o dano sofrido e insistiu na tese de que o "treinamento motivacional de vendas e liderança" ocorreu dois anos antes do ajuizamento da ação. O pagamento de "prendas", segundo a empresa, era feito apenas por aquele que ficasse em pior colocação, e a entrega de carrinhos Ferrari ou Fusca representava "uma espécie de classificação nos resultados das vendas". Outro argumento é que a caminhada sobre a passarela com carvão em brasa não era obrigatória e não causou qualquer queimadura ou comprometimento da saúde e integridade física do trabalhador.
O relator do processo, ministro Walmir Oliveira da Costa (foto), destacou que a empresa pretendeu reabrir o debate em torno da comprovação do dano por meio de provas, o que é inviável de acordo com a Súmula 126 do TST. Além disso, o relator destacou que "não se pode conceber, em pleno século XXI, que o empregador submeta o empregado a situações que remetam às trevas medievais". O fato de o treinamento motivacional apresentar ao participante a possibilidade de caminhar por corredor de dez metros de carvão em brasa "é o bastante para constatar o desprezo do empregador pela dignidade humana do empregado".
O ministro destacou ainda que o acórdão do TRT deixou evidenciado o fato ofensivo e o nexo de causalidade, ou seja, sua relação com o trabalho. Para ele, o dano moral é consequência da conduta antijurídica da empresa.
Durante o julgamento, na última quarta-feira (24), o ministro Lelio Bentes foi enfático ao condenar a conduta empresarial.  "Fiquei chocado com a situação", afirmou. "É de se estarrecer que em pleno século XXI nos deparemos com condutas tão aviltantes e que demonstram tanta insensibilidade por parte do empregador."
O caso também foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho para as devidas providências.
(Taciana Giesel/CF) | Processo: AIRR-92041-60.2008.5.03.0013 | Fonte e arte: http://www.tst.jus.br/